Ás vezes eu esquecia que ele ainda estava vivo para me enganar com uma morte que jamais chegaria. Mas chegou e não há mais engano possível.
Caymmi é o que a música brasileira pode ser.
Saravá, nossa saudade.
17 de ago. de 2008
7 de ago. de 2008
li imitar
Não existe uma linha vísivel. Uma faixa com letreiros avermelhados: não ultrapasse, aqui é o seu limite. Sempre acabo associando o limite a uma situação adversa, um comportamento, uma ação, um certo contexto. Bobagem. Penso seriamente que só estamos vivos por causa dos limites, porque somos seres completamente precários e limitados forjando realidades a todo instante. Está aqui dentro, de mim, de cada um, esse volume asbtrato de superação. Alguns o conhecem em alguns instantes. Outros, carregam uma vida inteira nesse limiar. Nós só conseguimos realmente saber quem somos no limite. Que na verdade, tem muito menos a ver com algo externo e sim com a reação, a maneira que iremos lidar com essa situação. Um fato. Uma ação. Uma dor. Uma vida. Uma morte. Um amor. A paixão talvez seja o limite cuja superação mais pulsa nas artérias. Paixão e limite, pra mim, são quase irmãos gêmeos. E o limite de existir não é morrer.
Quando aquele corredor cambaleando vai se arrastando até o fim da prova, não é o espírito olímpico que importa. Até porque espírito olímpico é uma bobagenzinha politicamente correta. Essa cena toca profundamente porque materializa esse desafio: é como se cada passo fosse mais um cima da superação de si mesmo. E mais um. E outro. Existe uma beleza arrebatadora nisso. Não é um teste de capacidade. É um flagrante de vida.
"Eu vejo a beleza no mundo através de homens que chegaram ao limite."
Naomi Kawase
Quando aquele corredor cambaleando vai se arrastando até o fim da prova, não é o espírito olímpico que importa. Até porque espírito olímpico é uma bobagenzinha politicamente correta. Essa cena toca profundamente porque materializa esse desafio: é como se cada passo fosse mais um cima da superação de si mesmo. E mais um. E outro. Existe uma beleza arrebatadora nisso. Não é um teste de capacidade. É um flagrante de vida.
"Eu vejo a beleza no mundo através de homens que chegaram ao limite."
Naomi Kawase
6 de ago. de 2008
anotei e botei na jaqueta da alma
Ser diferente é óbvio. Já somos todos, mesmo com todo o excesso de repetições e reproduções. Querer ser diferente é medíocre. Porque o que move esse desejo é a eterna comparação.
É sempre esse desafio: não ser diferente. Mas ser único. Não exclusivo, sem essa falácia de ser especial. E sim autêntico.
É sempre esse desafio: não ser diferente. Mas ser único. Não exclusivo, sem essa falácia de ser especial. E sim autêntico.
27 de jul. de 2008
Direito de sambar
Batatinha não foi simplesmente um dos maiores poetas do samba. Sua autenticidade fez com que a tristeza viesse dançar junto com os demais, na roda de samba. Ali na Bahia, meus caros, numa outra Bahia.
É proibido sonhar
Então me deixe o direito de sambar
É proibido sonhar
Então me deixe o direito de sambar
O destino não quer mais nada comigo
É meu nobre inimigo
E castiga de mansinho
Para ele não dou bola
Se não saio na escola,
Sambo ao lado sozinho
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
Já faz dois anos que eu não saio na escola
A saudade me devora
Quando vejo a turma passar
E eu mascarado, sambando na avenida
Imitando uma vida que só eu posso enfrentar
Tudo é carnaval
Pra quem vive bem
Pra quem vive mal
É proibido sonhar
Então me deixe o direito de sambar
É proibido sonhar
Então me deixe o direito de sambar
O destino não quer mais nada comigo
É meu nobre inimigo
E castiga de mansinho
Para ele não dou bola
Se não saio na escola,
Sambo ao lado sozinho
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
Já faz dois anos que eu não saio na escola
A saudade me devora
Quando vejo a turma passar
E eu mascarado, sambando na avenida
Imitando uma vida que só eu posso enfrentar
Tudo é carnaval
Pra quem vive bem
Pra quem vive mal
24 de jul. de 2008
Batman, casais, coringa e cinema
Esse texto começa sem palavras. Existe uma cena. Cinema lotado, quarta-feira, filme do momento. Aquele velho impasse da falta de cadeiras para casais sentarem juntos. Eu mudei de lugar, abrindo precedente para a efetivação amorosa de um casal de meia-idade. Não quis ser generoso. Estava apenas me incomodando profundamente o desamparo da mulher. A história iria parar aqui. Essa é a cena, sem palavras. Não trocamos palavras. Ele me agradeceu com um tapa nas costas. Ela me agradeceu com os olhos - que trocaram o desamparo pelo encantamento.
Eu não ia escrever isso aqui.
Mas ai começou o filme. Fiquei com vontade de falar qualquer coisa sobre o filme. E achei que seria importante falar desse ínicio. Não vou fazer crítica cinematográfica ou tecer algum comentário do universo HQ. Também não quero avaliar a atuação do Coringa. A morte só faz voar quem em vida tomou o impulso.
Gosto dessas coisas humanas que costumamos afastar da humanidade. Derrotas, sujeiras, insanidade, decisões erradas, atos passionais, caos.
Aquele Batman e Coringa que presenciei me trouxe tudo isso. O maniqueísmo foi repaginado de maneira 3D. Criou-se volume. Batman e Coringa não são faces de uma mesma moeda. São vértices de uma forma geométrica volumosa, cujo conteúdo seja foge da lógica. ordinária .Coringa está ali para desmascarar aqueles que planejam. As pessoas dos planos. Do prefeito ao homem-de-bem comum. É que talvez seja verdade: planos não funcionam, mesmo quando funcionam. Batman não está mais ali para ser herói. Está ali movido por paixões e convicções. E mata do mesmo jeito. Caráter é uma falácia. Autenticidade é o que une os dois. E eles não matam um ao outro. Porque nenhum dos dois operam com uma lógica convencional. Coringa não está atrás de dinheiro. Batman não está atrás de justiça para o mundo. E a identificação recíproca os mantém vivos. Os dois são seres completamente atormentados e reagem cada um a sua maneira a isso. Uma dose de irreverência cruel aqui. Uma pitada de idealismo sem escrúpulos ali.
O casal reproduziu no final a cena de amor que talvez tenha faltado no filme.
Eu não ia escrever isso aqui.
Mas ai começou o filme. Fiquei com vontade de falar qualquer coisa sobre o filme. E achei que seria importante falar desse ínicio. Não vou fazer crítica cinematográfica ou tecer algum comentário do universo HQ. Também não quero avaliar a atuação do Coringa. A morte só faz voar quem em vida tomou o impulso.
Gosto dessas coisas humanas que costumamos afastar da humanidade. Derrotas, sujeiras, insanidade, decisões erradas, atos passionais, caos.
Aquele Batman e Coringa que presenciei me trouxe tudo isso. O maniqueísmo foi repaginado de maneira 3D. Criou-se volume. Batman e Coringa não são faces de uma mesma moeda. São vértices de uma forma geométrica volumosa, cujo conteúdo seja foge da lógica. ordinária .Coringa está ali para desmascarar aqueles que planejam. As pessoas dos planos. Do prefeito ao homem-de-bem comum. É que talvez seja verdade: planos não funcionam, mesmo quando funcionam. Batman não está mais ali para ser herói. Está ali movido por paixões e convicções. E mata do mesmo jeito. Caráter é uma falácia. Autenticidade é o que une os dois. E eles não matam um ao outro. Porque nenhum dos dois operam com uma lógica convencional. Coringa não está atrás de dinheiro. Batman não está atrás de justiça para o mundo. E a identificação recíproca os mantém vivos. Os dois são seres completamente atormentados e reagem cada um a sua maneira a isso. Uma dose de irreverência cruel aqui. Uma pitada de idealismo sem escrúpulos ali.
O casal reproduziu no final a cena de amor que talvez tenha faltado no filme.
15 de jul. de 2008
trechos desquitados, idéias solteiras
Eu não sou a pessoa mais confiável para lhe dizer isso, mas se confiança fosse suficiente talvez não fosse nem necessário dizer. Entenda que cada palavra minha que antecede isso que preciso lhe contar não é demonstração de insegurança ou rastro de uma veia prolixa. Essas são meras circunstâncias. Já que sou eu quem carregou isso. E agora entrego em suas mãos.
Viver é sua última possibilidade.
1 de jul. de 2008
26 de jun. de 2008
16 de jun. de 2008
5 de jun. de 2008
alas
Criação, design e texto: Vitor Freire
Fotos: Tiago Lima
Para o "cortado chico", belo fanzine de Vânia, Rebeca e Ceci em Buenos Aires.
4 de jun. de 2008
nina
Nina Simone pertence. Peço perdão a tia Lêda, mas essa frase é assim mesmo, com o verbo pedindo complemento, mas seu sentido já está completo. Nina reinventa uma música de pertencimento. Quando sinto as palavras reverberadas na sua voz saio de qualquer vazio e passo a pertencer, ainda que não saiba direito a quem ou ao quê. Atravessar "Wild is the wind" de mãos dadas com Nina é uma espécie de maratona sentimental. Díficil chegar a linha de chegada sem qualquer vencedor: selavagem é o vento e talvez seja a ele que pertencemos.
Love me love me love me
Say you do
Let me fly away
With you
For my love is like
The wind
And wild is the wind
Give me more
Than one caress
Satisfy this
Hungriness
Let the wind
Blow through your heart
For wild is the wind
(...)
3 de jun. de 2008
foi por pouco
Quando criança eu queria ser um comunista ninja jiraya alto e forte.
Desse tempo, acho que só permanece um pouco da criança: o comunista, o jiraya, o alto e o forte foram todos embora.
Desse tempo, acho que só permanece um pouco da criança: o comunista, o jiraya, o alto e o forte foram todos embora.
quantos pai-nosso, padre?
Preciso confessar algo sério. Confessar pra mim mesmo, quase. Sempre que eu entro no Unibanco ali da Augusta, eu tenho o pressentimento de que vou me apaixonar perdidamente.
E sempre quase acontece. Mas tudo ocorre tão rápido, que logo a paixão perde-se. Eu seria capaz de demorar uma vida inteira no olhar. Uma vida quase inteira. No último suspiro, tragava todo o resto.
Não posso mais entrar naquele cinema sozinho.
E sempre quase acontece. Mas tudo ocorre tão rápido, que logo a paixão perde-se. Eu seria capaz de demorar uma vida inteira no olhar. Uma vida quase inteira. No último suspiro, tragava todo o resto.
Não posso mais entrar naquele cinema sozinho.
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