
30 de mai. de 2008
participação

perigo e medo
27 de mai. de 2008
só pra constar
O que me incomoda mesmo é que estar vazio me trás a sensação de estar cheio de tudo. Cheio de nada. A barriga cheia de vento.
Preciso alimentar minha fome.
14 de mai. de 2008
indecisão é decisão interna, pra dentro.
Fabrício Carpinejar
11 de mai. de 2008
antes do princípio das coisas

Tudo o que passámos, naqueles dias, não era definitivo, não tinha coordenadas futuras, seria, por fim, o crescendo que iria morrer de repente. Olhava-te no sono e pensava que sabia exactamente a data em que o amor iria desfazer. A ilha congelada no nosso abraço. Nos teus pensamentos era tudo o que fazia sentido. Eu tinha um prazo. Uma vida à minha espera, um regresso feito de poucas memórias. Ficarias em terra, náufrago de mim, sem perceber os destroços de nós.
Sabia exactamente o vermelho de sangue que te iria escorrer da alma, como uma tinta, como um salpico de dor demasiado forte para o teu corpo magro.
Não tenho coração, pensava nas noites em que ficávamos a olhar o reflexo da lua no atlântico.
Tu contavas a história do duende prateado que tem de acender as luzes todas do mar da tranquilidade. Ele que prometeu ao sol que pode dormir sossegado. Haverá sempre uma luz para espantar as coisas más. Quando me fui embora, não deixei morada. Hoje, quero que saibas que não te disse nada e quando te pedi para me morderes o coração era só para me certificar que ele existia no meu peito. Tu preferiste beijar-me, nunca me mordeste e, assim, fiquei sem saber."
morder-te o coração é uma pequena caixa de ferramentas para afetividade defeituosa. Mas essas pequenas chaves de fenda em forma de palavras não irão consertar-te em nada: surgem para inutilizar-nos de nós mesmos, um pouco, ainda que por poucos instantes.
No vigor da escrita da portuguesa Patrícia Reis, não há como puxar o ar, num desejo do fôlego, sem que junto não entre para os pulmões esse invisível - porém tão sentido - frescor da comoção de amar. Independente do contexto em que se esteja - casado, sofrendo, solteiro, apaixonado, vadio - as histórias entrecortadas de pequenos relatos - ele e ela, vão se encaixando e encaixotando-se sem piedade de nos abarcar. Penso que há ai um apontamento para ressignificar a dor amorosa - que não está somente nos corações partidos, mas da falta de inteireiza que tem nos afligido nesses tempos.
Uma surpresa. O livro é impecável, nas cores, na capa, nas páginas com pausas negras. Na contracapa, sorri debochando o aviso que Agualusa faz: "Este (pequeno) livro é precioso (e raro) e deve ser manuseado com cuidado: contém emoções."
"A felicidade não está no que acontece mas no que acontece em nós desse acontecer. A felicidade tem que ver com o que nos falta ou não na vida que nos calhou. Devo dizer-te que me não falta nada, quase nada."
Em nome da terra, Vergílio Ferreira (citado no livro da Patrícia Reis)
foto: Tiago Lima
1 de mai. de 2008
Um Brasil Sertanejo Ilustrado Caboclo Negro Tapuiá

29 de abr. de 2008
25 de abr. de 2008
individualidade, desamparo, falácias contemporâneas
Folha - O individualismo tem uma conotação pejorativa. Por que valorizá-lo?
GIKOVATE - Individualismo não é egoísmo. O egoísta gosta de turma, porque é aí que encontra um generoso para "mamar na teta". O generoso também não é individualista porque tem a necessidade de dar. O individualismo resolve o dilema entre o egoísmo e a generosidade: é eu me entender como uma unidade e, se eu me sentir desamparado, resolver isso por mim mesmo, e não por meio do outro. Isso não significa não me relacionar, mas o outro deve ser escolhido por afinidade intelectual, como os amigos.
Folha - Se esse encontro não ocorre, é possível ser feliz sozinho?
GIKOVATE - Meu livro tem dois finais: um é ficar sozinho; outro, bem-acompanhado. Ambos representam a vitória da individualidade. Posso jogar tênis sozinho ou em dupla. O que não posso é jogar com um parceiro desleal, ciumento e que queira mandar em mim.Ninguém aceitará gente querendo mandar. Isso não é ser egoísta. O egoísmo se caracteriza pela intolerância à frustração. O independente resolve agüentar suas dores. Além disso, hoje, o mundo é mais favorável a pessoas sozinhas.
Folha - Como o sexo ocorre nesse amor que parece amizade?
GIKOVATE - Isso é um problema porque, em nossa cultura, o sexo vai melhor quando há briga. As pessoas gostam mais de transar com inimigos do que com amigos. Isso mostra como precisamos avançar no entendimento da questão sexual. Ainda é preciso inventar um erotismo que não seja comprometido com vulgaridade e violência. Para superar isso, é preciso ser criativo e entender que as leis da atração sexual não são as mesmas das relações afetivas de boa qualidade. Na hora do sexo, talvez seja necessário mudar o canal, no qual o outro tem de deixar de ser o parceiro sentimental para ser um outro. É assim que os casais que se amam de verdade descobrem estratégias para que o sexo flua.
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Uma História de Amor... com Final Feliz
Flávio Gikovate
6 de abr. de 2008
impasses
Porque falar de amor é falar de todos os assuntos realmente relevantes. My blueberry nights é bonito e simples, um punhado de diálogos delicadamente costurados nesse estranho tecido das relações. Não sabemos perder. Não sabemos nos perder. Insistimos numa ilusória eternidade por pura covardia de compreender-nos melhor, o tempo, a vida, o outro. Ninguém é capaz de sobreviver sem matar. Escolhas são pequenos assassinatos no cotidiano. Displicente, carregamos nosso próprio cemitério de impasses. Como é possível suportar dizer adeus para alguém que você até pouco tempo nem conseguia imaginar viver sem? Norah Jones pergunta no filme. Não sei. Mas sei que não dá para ficar nesse eterno movimento de atualização de velórios. Se não há como aprender a morrer, que surja mais sabedoria para matar. Porque a vida pede passagem. Wong kar wai é um Vinicius de Moraes oriental que decidiu fazer filmes ao invés de música. Que seja eterno, enquanto dure. E que seja terno, como sugere Otis Redding na trilha do filme."(...)
now it might be a little bit sentimental no
but she has her greavs and care
but the soft words they are spoke so gentle
yeah yeah yeah
and it makes it easier to bear
oh she wont regret it
no no
them young girls they dont forget it
love is their whole happiness
yeah yeha yeah
but its all so easy
all you got to do is try
try a little tenderness
(...)"
Otis Redding é um chute impiedoso. Maravilhosamente impiedoso.
4 de abr. de 2008
cuidado
Meu avô não me faz mais falta. Descobri isso hoje. Me faz presença.
surpresa
Julie Delpy, no filme Dois dias em Paris
1 de abr. de 2008
grande e duro
Dráuzio Varella
28 de mar. de 2008
problema
22 de mar. de 2008
realidade artesenal
Janet Malcom