16 de dez de 2008

Aperto no peito

É importante dar nome a esse aperto no peito. Foi assim que me tornei homem. Nomeando apertos. E só depois de homem, que entendo o aperto de menino. Só depois de tantos depois, dou nome ao que antes de tudo, antes de mim. Hoje escutei esse aperto e preferi deixá-lo sem nome. Pensei que não gostaria de chamá-lo de nada. Esse aperto não é novo nem velho, não tem frequência nem destino. Dele, sei apenas que não é preciso chamá-lo. Ele vem. Sem nome, ele acaba tirando também um pouco da minha própria identidade. Não por maldade. É que o meu nome também acaba ganhando desimportância. Há o aperto e isso deveria bastar. Nem escrever sobre ele é necessário. O aperto vem fundo, porém leve. Ele apenas aperta. Parece que somente quem não precisa se esconder em um nome consegue trazer tanta força e leveza.

É quase uma dor sem corpo. Tem a delicadeza para apertar além.

13 de dez de 2008