27 de ago de 2006

Macanudo



Descobri o argentino Ricardo Liniers através do blog da Rita Apoena. E agora estou profundamente encantado com seu trabalho, tanto que já estou a encomendar os livros com suas tirinhas. Não sentia tamanha emoção desde quando ganhei meu livro com Toda Mafalda.

25 de ago de 2006

tia chaui

"A paz não é a simples ausência de guerra. Uma cidade na qual a paz depende da inércia dos súditos deve mais corretamente ser chamada de solidão que de cidade."

Marilena Chauí

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p.s: Tenho pensado em dar nova moradia para esse blog, lá: http://www.chadeideias.com.br/blog. Quando for verdade, avisarei.

22 de ago de 2006

santificado seja o vosso nome

- Quanto custou o seu Pai?

Ele olhava os movimentos rápidos da minha mão e ia absolvendo aos poucos cada exagero na volúpia de estar diante do próprio Pai. Abaixou o rosto, perdeu alguns olhares, mas ainda em tempo retomou a fala com a pouca afetividade dos homens masculinos machos. Nossa concordância é pela palavra que falta, e não nos damos conta, quase um pecado seria procurá-las. Uma certa angústia cultivada nos últimos anos tira o fôlego da conversa quando ela ousa comunicar-se pela respiração, ao não se contentar com as palavras, lapsos e seus vocábulos anasalados. Ele me admira como uma súplica, perdoa a si próprio por ser meu pai. Eu contabilizo os desvios em comum e, como de costume, perco-me entre números para não chegar aqui. Esse pai que também é meu custou-me quase uma vida inteira. Guardo com afinco o troco que restou.

16 de ago de 2006

sol

Sempre é tarde quando chego. Num vilarejo da África que reside na Bahia, para perguntar que horas são, diz-se ‘que sol é este?’.

14 de ago de 2006

quote

Policial 633: Você gosta de música barulhenta?
Faye: Sim. Quanto mais alto melhor. Assim, eu paro de pensar.
Policial 633: Você não gosta de pensar? O que você gosta então?
Faye: Nunca pensei sobre isso.

Amores expressos, Wong Kar Wai.

7 de ago de 2006

A guerreira anônima contra o Trocadilo



Estamira quase não é ela mesma: É este corpo cansado, negro, envelhecido e entristecido pelo 'trocadilo' cruel da vida, esse ser da espécie homem par. Esse corpo parece observar a verdadeira Estamira, que está além, que está em todos os lugares: A palavra firme, a lógica imbatível para organizar o caos do mundo dentro do seu vocabulário surpreendentemente rico e assertivo, a clareza mística e lúcida que inventa sua subjetividade em contexto tão adverso e a pertinência às vezes tão agressiva que sua visão crítica repousa.
Marcos Prado é verdadeiramente um fotógrafo, mais do que um cineasta. E somente um fotógrafo como ele poderia ter feito esse filme, poderia ter tido a paciência e a perspicácia para realizar este documentário. As palavras de Estamira poderiam ser por si só fonte de reflexão. Mas a imagem que Prado escolhe para abraçar essas palavras são envoltas da mesma matéria abstrata ("A criação toda é abstrata. Os espaço inteiro é abstrato. A água é abstrato. O fogo é abstrato. Tudo é abstrato. Estamira também é abstrato.") que compõe a fluência 'estamírica', o místico e o sagrado.
As reflexões que ela suscita são de uma amplitude assustadora: da questão dos lixos, consumo desenfreado nas metropoles, até a religião, seu poder sobre os mais pobres, passando pelos conceitos que permeiam loucura e lucidez. Estamira põe, mais uma vez, em cheque os limites e a complexidade que pode envolver o conceito da loucura. Sua lucidez é tão agoniante que se relaciona intimamente com a loucura. Mas Estamira trabalha no Jardim Gramacho. Não seria leviano afirmar que outros personagens, tão loucos, tão lúcidos e tão inventivos já passaram na história dos homens - pares e ímpares - e deixaram seus legados registrados nos códigos universais de cultura - literatura, música, etc. Para Estamira, segredada pela miséria, coube a Marcos Prado registrar-lhe a genialidade. Estamira. Esta mira. Mira. Em espanhol, mira é como "olha". Este olhar. Esta mira é um "este olhar" feminino. Par. Até porque, depois do filme, fiquei imaginando que olhar é realmente uma palavra feminina.
Ela é um grande exemplo de auto-valorização de sua subjetividade em meio a tanta desgraça e infortúnio, resistência de uma identidade que se fez forte nas suas circunstâncias.

Ao final, uma frase que me permitiu voltar pra casa. "Tudo que é imaginário, tem, existe, é."

Saravá, Estamira. Obrigado Marcos Prado.

http://www.estamira.com.br

2 de ago de 2006

tricolor

Possuo esse desvio de caráter: sou amante do futebol. E mais: torcedor ferrenho do São Paulo. Foi nessa cidade que aprendi a admirar o futebol, quando criança. Cada gol é um grito envolto de felicidade e admiração.

Meu caráter é mesmo formado por desvios.