26 de fev de 2012

Sono e saúde

Meu sono nunca me lembrou saúde. Ele esta profundamente conectado com depressão. Eu durmo muito quando não quero viver. Por isso, quando fico um ou dois dias sem dormir, significa que venci uma pequena batalha nessa guerra. Dormir pouco é uma luta pela vida. O melhor sono será sempre o que não precisou existir. O segundo melhor é aquele que quase não percebo - pelo cansaço do corpo, da alma. Raramente tenho esse.

11 de fev de 2012

Momento melhor

O que me surpreende é que, há qualquer momento eu poderia ter morrido. Poderia ter tropeçado, ter tido uma dessas doenças estranhas, ter sido atropelado - quantas vezes atravessei a rua sem atenção, poderia ter levado um tiro naquele carnaval. Mas não. E justamente agora, quando finalmente consigo contar-te algo que desperta seu sorriso, chega a minha hora. Eu não poderia imaginar um momento melhor.

5 de fev de 2012

"Eu quero viver na sua memória. Qualquer coisa que eu fizer, mesmo que completamente equivocada, tem apenas esse objetivo. Eu já caminhei bastante, já vivi algumas coisas, já conheci umas pessoas. Nenhum lugar, nenhum, me deixou mais pleno do que dentro das lembranças que você tem de mim. E eu sei que quando você começar a esquecer alguns detalhes, sua imaginação vai ajudar." 

Um dia, mais um dia, aquele dia, todo dia.

4 de fev de 2012

Rasgo

Ela sabe que pode. Mas não pode o que sabe. Ela me olha com tesão. Ela diz não jogar. Ela avisa que vai gozar com certa angústia. Mas o jogo diz muito sobre ela. O tesão, quando adulto, gosta de ouvir mais do que de enxergar. Não existe casualidade no sexo e por isso inventaram o sexo casual. É fácil desejá-la. Ela inventa regras para um jogo que ainda não existe. E por isso, repete, que não joga. Eu não sei o fácil, e essa é minha maior cicatriz. Ela gosta de cicatrizes. Um pouco antes do segundo orgasmo, imaginei que meu pau fosse a minha maior cicatriz. E talvez seja. Ela quer o melhor poema, não o livro inteiro. Insiste no refrão, com medo de que a melodia cresça e queira ser trilha sonora. De uma vida que não há espaço para o movimento entre um prazer e o outro. A felicidade não é um lugar, e também não é um instante. É um movimento, que conecta. Seu corpo é menos do que ela diz e mais do que ela realmente acha. Para se livrar desse impasse, ela sabiamente usa a boca. Para dizer, para silenciar e para o infinito que cabe entre esses dois mundos. Ela prefere me ter na memória, do que no risco do compromisso. Mas a memória é amante da imaginação, e pode te trair mesmo permanecendo fiel. Para fazer sexo, basta ter um pau ou uma buceta. E ela sabia disso, e mesmo com receio, ela não queria apenas fazer sexo. Mesmo que sexo nunca seja apenas. Esse é um texto longo, eu disse. Ela arrancou a primeira página e foi embora com alguns orgasmos, um cheiro suave de sexo e o medo de si mesma. Todo amor termina com um rasgo. Nem que seja o da morte. Eu a amei porque seu medo me alimentava. Mas, apesar de um delicioso jantar, não era o suficiente para o café-da-manhã. Eu sofro porque acreditei. Mas já faz muito tempo que o sofrimento não é gasolina suficiente para essa ignição.